Painel do SMART CUSTOMER mostrou que o netweaving no CX é uma evolução do networking: começa oferecendo valor, cria relações de confiança e gera oportunidades reais. O case do Liga o Flow prova que conexão genuína pode virar comunidade, carreira e resultado para negócios.
O painel “Liga o Flow – do networking ao newteaving – conexões que transformam”, apresentado no SMART CUSTOMER e mediado por Karla Danianne, Gerente Executiva de Experiência do Cliente do Banco bmg, mostrou por que o mercado de experiência do cliente precisa ir além da troca rápida de cartões e passar a construir relações de longo prazo.
Em pouco mais de 20 minutos, as integrantes e fundadoras do Liga o Flow – Lívia Maria Corujeira, Paula Abnader, Michelle Torres e Andrea Rezende – contaram como uma conexão entre quatro profissionais virou uma comunidade de mais de 5 mil pessoas e como isso se conecta ao conceito de netweaving, prática que coloca o “o que eu posso fazer por você?” antes do “o que você pode fazer por mim?”.
O objetivo foi claro: levar executivos de CX a entender que conexões genuínas aumentam empregabilidade, ampliam repertório, fortalecem times e, sobretudo, geram bem-estar – e que o SMART CUSTOMER é um ambiente ideal para praticar isso.
Do networking ao netweaving
Logo na abertura, Karla avisou que o painel seria “rápido e mortal” e que o público sairia com um conceito novo. E foi o que aconteceu. As palestrantes partiram da pergunta óbvia – “todo mundo aqui sabe o que é netweaving?” – para mostrar que, mesmo em um evento de relacionamento, muita gente ainda conhece apenas o networking tradicional, aquele de pedir contato, indicação ou informação.
O ponto de virada veio quando Paula Abnader explicou a diferença de forma prática:
“O networking é quando eu preciso de uma coisa rápida. Já o netweaving é outro jogo: eu começo perguntando o que posso fazer por essa pessoa.”
Essa inversão de lógica é o coração da palavra-chave deste texto – netweaving no CX. Com ela, as executivas mostraram que, em um mercado que fala tanto de cliente no centro, ainda falta colocar pessoas no centro das relações profissionais. E fizeram uma analogia simples: networking é ir ao mercado pegar o que precisa; netweaving é cultivar uma horta comunitária, em que todos plantam, cuidam e depois colhem juntos.
As palestrantes ainda conectaram o tema ao ambiente corporativo: segundo dados citados no painel, mais da metade das pessoas são contratadas porque já tinham conexões fortes dentro das empresas, e redes de confiança aumentam inovação e criatividade. Esse é exatamente o efeito do netweaving no CX: quando há apoio e troca real, os projetos fluem mais rápido e os times performam melhor.
Liga o Flow: uma história de conexão que virou comunidade
Para mostrar que não era só teoria, o painel trouxe a história do Liga o Flow. Lívia Maria Corujeira contou que tudo começou com quatro mulheres, de perfis diferentes, que decidiram transformar a própria rede em algo maior: “Somos quatro mulheres que decidiram fazer diferença não só na nossa vida, mas na vida de quem se conecta conosco.”
A partir dessas conexões – Bahia, São Paulo, idas e vindas de carreira – o grupo foi apresentando uma pessoa à outra, criando oportunidades de negócio, puxando mais mulheres e, quando viu, tinha uma comunidade com mais de 5 mil pessoas. E isso, segundo elas, não acontece por acaso: “Quando a gente faz o bem, a gente libera oxitocina, o hormônio do bem-estar. A conexão faz bem para quem recebe e para quem conecta”, reforçou uma das fundadoras.
Esse trecho foi importante porque trouxe o tema para um lugar pouco falado em eventos de CX: relações saudáveis também são estratégia de carreira. Várias delas deram o depoimento de que, depois do Liga o Flow, passaram a sair da bolha, a estudar temas fora da área de CX, a fazer podcast, a encarar o palco e até a mudar de área – como relatou uma das integrantes ao dizer que, depois de 26 anos em CX, teve coragem de migrar para o comercial por causa da rede de apoio construída.
Ou seja: netweaving no CX não é só sobre “fazer negócio”. É sobre ter gente para puxar, apoiar, ensinar, indicar e, principalmente, permanecer. E é isso que diferencia o Liga o Flow de um grupo qualquer de networking.
Por que o netweaving é vantagem competitiva
Depois de explicar o conceito e contar a história, o painel entrou na parte que todo executivo queria ouvir: por que isso importa para negócios. As palestrantes citaram dados de LinkedIn, Harvard e Oxford para mostrar que redes colaborativas e de confiança aumentam em até 50% as chances de sucesso na carreira e que times que se dão bem são mais felizes e performam melhor.
Nesse ponto, uma das integrantes reforçou: “Competência técnica dá para copiar. Relação humana verdadeira, não.” A frase resume bem a lógica do netweaving no CX: produto, processo e tecnologia podem ser reproduzidos pelo concorrente; cultura de conexão, não. Quando uma empresa cria ambiente seguro, tolerância ao erro, apoio entre pares e líderes que aproximam pessoas, o resultado aparece em desempenho e retenção. E as palestrantes foram além: disseram que o netweaving ajuda a transformar um time mediano num time extraordinário porque o elo entre as pessoas passa a ser maior do que a meta.
Outro ponto forte do painel foi a lembrança da teoria dos laços fracos – citada como referência de que não dá para ficar falando sempre com as mesmas pessoas. Quanto mais diversa for a rede, mais oportunidades aparecem. E esse foi o convite direto ao público do SMART CUSTOMER: não sair do evento falando só com os conhecidos, mas usar o ambiente para criar laços novos e duradouros.
Convite à prática dentro do ecossistema de CX
No final, Karla Danianne amarrou o painel lembrando que a curadoria do evento foi pensada para isso: entregar conteúdo, mas também permitir que as pessoas se conectem. Muitas delas, como disse a mediadora, vão ao SMART CUSTOMER justamente para encontrar alguém no corredor. Então, por que não tornar essas conexões mais profundas?
As integrantes do Liga o Flow deixaram uma tarefa aos presentes: na próxima oportunidade, em vez de pedir algo primeiro, ofereça algo primeiro. Em vez de mandar mensagem só quando precisa de indicação, mantenha a relação viva. Em vez de olhar para o networking como transação, olhe para o netweaving no CX como um modo de viver – porque ele gera confiança, reputação e parcerias de longo prazo.
O painel terminou com agradecimentos à Miriam, pela generosidade de trazer um tema de conexão para um congresso de CX, e com um recado prático: o Liga o Flow está ativo em Instagram, LinkedIn, podcast e até leva grupos para experiências fora do país. Tudo, claro, com a mesma lógica: conexões que transformam.